Fim do primeiro tempo.

Dizem que a gente dura em média 75 anos, uns mais, outros menos, enfim... A sociedade tende a convencionar que os 40 são a metade disso e cheguei lá. Yay!

Na verdade cheguei em maio, mas acabei me enrolando e não consegui terminar o texto a tempo. Alguns levam como uma data solene, outros como um ponto de virada, sei lá, para mim foi só mais um aniversário. O engraçado é que de tanto as pessoas perguntarem sobre "como é fazer 40 anos" ou "e agora" acabei me pegando em vários momentos fazendo aquela auto avaliação tendenciosa do que aconteceu até agora. Mas isso não interessa, é pessoal e é meu. em compensação um projeto que apareceu nesse meio tempo me levou a um tipo de retrospectiva um pouco diferente e que acho digna de nota.

A ilustração desse post na verdade foi concebida para um projeto que deu um xabu parcial e acabei trazendo para a collab com meus bons amigos da Strip Me e já está disponível.

Ok, chega de merchan e vamos ao papo furado saudosista.

Tive contato com quase todos os consoles retratados na arte (nunca consegui por minhas mãos no Dreamcast nem no Gamecube) e, por mais que não me considere o que o pessoal chama de gamer hoje em dia, videogames foram o fio condutor de uma grande parte da minha vida.

Acho que à primeira vista a lista pode parecer meio confusa mas ao invés de utilizar a ordem de lançamento de cada videogame vou tentar usar a ordem em que eles entraram na minha vida. Vou tentar usar o máximo possível a Wikipedia, porque apesar de existirem fontes mais legais sobre videogames acredito que as pessoas podem se assustar com links obscuros do Wayback Machine, Blogspot ou de sites jurássicos sem certificado de segurança.

Partiu nostalgia!

Antes do Atari

Cresci em uma cidade chamada Marília, no interior do estado de São Paulo e eu costumava passar uma ou duas semanas das férias escolares no sítio da Tia Ana e do Tio Dorival em Ocauçu, meu primo Daniel e eu temos a mesma idade e costumávamos passar o dia descendo montanhas de palha de café capotando, brincando com solda, amolando coisas no esmeril, misturando fertilizantes com agrotóxicos pra ver o que acontecia e todo esse monte de coisa que as crianças faziam nos anos 80. Mas eles tinham um Telejogo, o famoso Pong, acho que esse foi meu primeiro contato com um videogame.

Atari

Meu pai vem de uma cidade chamada Santa Cruz do Rio Pardo, SP, e temos bastante parentes por lá. De vez em quando íamos visitar minhas tias (sim Neide, você também é minha tia :) ) e meu primo Juliano tinha um Atari, eu não tinha noção de como ou quanto as coisas evoluiriam dali para a frente, só sei que fiquei impressionado com os gráficos. Minha referência era o Pong, que não passava de duas barras e um quadrado na tela. O Atari tinha cores, os personagens se moviam na tela, um carrinho de compras poderia me atingir a qualquer momento.

Era muito louco e eu fiquei sonhando em ter um por anos até que... Bang! Em 1991 meu pai comprou um Atarão do Paraguai com 72 jogos na memória. A terceira geração já havia chegado e o Atari já era uma velharia há pelo menos 3 anos, hoje entendo que ele fez o que podia para me dar um pouco de conforto, mas na época foi uma mistura de alegria e frustração, mesmo assim isso não me impediu de invernar clássicos como Pitfall, Megamania e Hero na televisão preto e branco da cozinha. Bons tempos.

Fliperama

Nessas férias que passava no sítio dos meus tios em Ocauçu sempre íamos para a cidade na sexta ou sábado à noite e foi lá, em um boteco ao lado da pracinha da igreja matriz, que vi algo que mudou minha vida para sempre: uma máquina de fliperama. Pode parecer banal, mas sei lá, quando se está crescendo a vida é cheia disso, ver coisas pela primeira vez. Em algum momento vimos pela primeira vez uma escova de dentes, um carro, um celular... Enfim, coisas que se tornam corriqueiras, mas de todas essas coisas a máquina de fliperama com Street Fighter II foi uma das que tiveram mais impacto na minha vida. Era uma televisão, com controles e dava para comandar um personagem de desenho animado! Saca, tinha acabado de sair dos anos 80, fiz parte da geração pega pela batalha entre os desenhos da Globo e do SBT, as vezes esbarrando nos clássicos reprisados pela Bandeirantes. Minha mente só pensava em desenhos animados e nos gibis de super heróis do meu irmão mais velho, que eu lia escondido. De repente me aparece isso, um dispositivo que se eu conseguisse fazer o movimento certo, no tempo certo poderia disparar bolas de energia com as mãos, desferir chutes impossíveis ou acertar ganchos voadores. Era incrível!

Mega Drive

A lembrança mais antiga que tenho do Mega Drive vem de 1991 também, eu estava na quinta série (acho que hoje é o sexto ano), estudava em uma escola que não existe mais e pegava o ônibus de volta para casa a uns 5 ou seis quarteirões dali. O Mega Drive era lançamento e tinha uma locadora no caminho, a fila de espera era de cerca de uma semana. Eu esperei uma semana para jogar meia hora de Sonic.

NES

Essa é uma lembrança meio difusa, minha mãe é uma católica muito fervorosa e, quando na minha infância, vivia me arrastando para os terços e rezas pelo bairro. Lembro que na casa de alguém do grupo dela tinha um Top Game ou Turbo Game, fora isso um amigo no bairro tinha um Top Game, altas jogatinas de de Ninja Gaiden na tevê de porteiro.

Super NES

Alguma das minhas amizades mais antigas se consolidaram em um fim de semana que a molecada do bairro se juntou para alugar um Super Nintendo com Street Fighter II (sim, eu curto jogos de luta).

NeoGeo

Havia uma locadora em Marília chamada Games Mania (a mesma da história do Mega Drive), eles tinham uma réplica do cano verde do Super Mário no jardim que eu achava sensacional e eles também tinham um console NeoGeo. lembro que no meu aniversário de 12 anos me juntei a mais 3 amigos e passamos 4 horas jogando Art of Fighting, Sengoku, Fatal Fury... Bons tempos II - a missão.

Master System

O comercial era com uns caras invadindo uma espécie de instalação militar, usando os óculos, que nunca usei, plugados ao console e com a pistola, que utilizei para acertar animais na tela da tv, acertando mísseis, parecia ser bem legal. Lembro do slogan até hoje:

"É um jogo mas poderia ser verdade!"

Isso foi dois anos antes. Estava em 1992 e o irmão mais velho do Cristiano, um amigo com quem estudei da primeira série até o primeiro colegial, estava vendendo um Master System, o console mal sucedido da Sega. Vendemos o Atari, minha família completou o dinheiro (obrigado pai!) e lá estava eu seguindo firme e forte atirando shurikens, matando gangsters com passos de dança e me convencendo de que o Jogos de Verão do Master era melhor que o do Mega Drive.

Sega CD/ CDX

Na ilustração tem um CDX mas na verdade eu tive um Mega Drive com um Sega CD (que comprei de segunda mão do irmão do Tirço, outro cara com quem estudei junto desde sempre) e posso dizer que lembro até hoje de chegar em casa, instalar tudo e invernar no Cyborg Justice (alugado, é claro). Mortal Kombat com sangue!!! Comix Zone, todos Sonic, Eternal Champions, Zombies Ate My Neighbours... Acho que foi um dos consoles que mais joguei na vida. Gostaria de dizer o mesmo dos jogos de CD, mas eu não tinha acesso a eles, só joguei o Sewer Shark mesmo e acabei utilizando o Sega CD mais como CD player que console, fazer o quê né?

3DO

Meu amigo Bruno (o mesmo da casa do fim de semana do Super Nintendo) se aventurou nesse console, até hoje não sei onde ele encontrou isso. Lembro que conheci Soundgarden, Swervedriver, Paw, Hammerbox e Monster Magnet jogando Road Rash. Essa trilha era tão legal pra gente que fizemos uma gambiarra para gravar a trilha em uma fita (estávamos bem longe dos cds graváveis, pen drive, mp3 ou streaming).

Até hoje acredito que minha curiosidade por bandas e meu gosto por visuais que tangenciam a kustom culture veio do contato com esse jogo. A trilha sonora me mostrou que existia muita coisa foda por aí, esperando para ser descoberta não pelo mundo, mas por mim, sei lá, me tirou daquela zona de conforto de só ouvir o que todo mundo ouvia, conhecer música se tornou algo importante. Foi algo que virou alguma chave na minha cabeça e guardo as lembranças dessa época com muito carinho até hoje.

Sega Saturn

Depois de anos jogando Super Street Fighter II (eu sei, eu sei...) e Killer Instinct meu amigo Alemão trocou a Nintendo pela Sega, lembro que nessa época nós estavamos mais ligados em skate e no rock e não passávamos mais tanto tempo jogando, mas tivemos nossas horas de Virtua Fighter e Street Zero.

Nintendo 64

O Bruno e meu primo Du comparam essa briga, eu tenho lembranças esparsas desse período, lembro que detestei o Top Gear Rally, achava San Francisco Rush muito louco, adorava a corrida contra o pinguim no Super Mario 64 e fritava no multiplayer do Golden Eye.

Playstation

Sim, o PlayStation original, o fat, cinza. Meu irmão mais velho me deu esse quando eu estava no final do primeiro ano de faculdade. Era uma espécie de Super NES. Todo mundo tinha um playstation, os jogos (piratas) e os controles (piratas) eram baratos. O catálogo era imenso, em Londrina, a galera da república invernava no Fifa, nas férias eu passava horas na casa do meu amigo Vinicius para terminar o Tony Hawk Pro Skater da temporada, terminamos todos! Metal Gear Solid e Driver eram revolucionários, o tempo de load dos Street Fighter Alpha eram aceitáveis.

Por mais que eu tenha um Nintendo Wii (comprado depois que saiu de linha) o PlayStation foi meu o último console de verdade, que dediquei horas jogando algo. O fim de uma era.